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segunda-feira, 13 de Outubro de 2008
segunda-feira, 16 de Junho de 2008
O horror do vazio
![[DSC05352+.jpg]](http://bp1.blogger.com/_xdXBBWQnKsA/SFZfp4Hu3TI/AAAAAAAAAJs/HFVZTeg7ywk/s1600/DSC05352%2B.jpg)
"Faz muito tempo que não vos falo. Mas este título fez-me secura nos olhos. Talvez porque nas últimas semanas eles têm chorado tanto ao verem o verdadeiro HORROR DO VAZIO. Encontro-me neste momento, no centro da "Europa Civilizada", onde apesar dos teclados não terem acentos, a arquitectura se impõe no tempo e o gótico nos trás à memória histórias de reis e princesas, onde existe espaço para as árvores, jardins e prisões de 40 andares de estilo contemporâneo. Mas garanto-vos gente da minha terra, que este sim é o verdadeiro horror do vazio. Estou sob um contrato de silêncio que não me permite mencionar nomes nem de empresas, países ou pessoas, mas não tenho um contrato de silêncio para o horror a que tenho assistido aqui. O Presidente da Comissão para os refugiados fala a mesma língua que nós, mas nem com ele posso desabafar. Estou a receber o ordenado mínimo de um país europeu para limpar as "cubatas" dos refugiados que aqui sao recebidos "generosamente" por este povo. Acreditem que nem durante a guerra por aí vi a minha gente viver assim.
Vêem com a esperança de vida e força para lutar pela dignidade dum trabalho, com a promessa de algum dinheiro semanal para os primeiros tempos, e têem a garantia de integração social e de poderem vive sem medo da guerra, sem medo da seca ou sem medo de sistemas políticos. Chegam sem nada e sem nada continuam. Sobrevivem com cerca de 40 Euros por semana num país em que uma refeição pode custar 15 Euros.
Assisti à preparação de uma refeição que uma mãe fazia com todo o carinho para ela e para a filha de quatro anos, a base desse jantar eram duas pequenas lulas e um bife de frango e tive o desplante de perguntar se chegaria para as duas! A resposta daquela mãe foi elucidativa da situação, aquele era o jantar desse dia e o almoço do dia seguinte. até serem de novo repatriadas para os seus paises, onde a única diferença é a água potável e as vacinas. Por aqui não se alimentam melhor, porque a cozinha que normalmente serve 12 pessoas é um vazio horrível. Sempre que entro num desses aposentos miseráveis grito quase calada por um patrício, e vou pedindo a Zambie que não haja resposta, que nao esteja ali um Angolano. Oiçam o meu pedido: nao destruam o edifício dos Correios nem percam o espacos vazios! Ocupem-nos para morar com alguma dignidade humana, porque aqui, no centro da "Europa civilizada", não há espaço, apenas dinheiro para os que cá moram, e só para alguns, porque nunca ninguém nos vai dar nada sem ter o dobro em troca. Daqui, do horror do vazio vos suplico, amem o nosso espaço, porque aqui chove e faz muito frio e aqui sim, dormir numa cubata ou na rua, é sempre morar no HORROR DO VAZIO.
A vossa,
Ana"
Vêem com a esperança de vida e força para lutar pela dignidade dum trabalho, com a promessa de algum dinheiro semanal para os primeiros tempos, e têem a garantia de integração social e de poderem vive sem medo da guerra, sem medo da seca ou sem medo de sistemas políticos. Chegam sem nada e sem nada continuam. Sobrevivem com cerca de 40 Euros por semana num país em que uma refeição pode custar 15 Euros.
Assisti à preparação de uma refeição que uma mãe fazia com todo o carinho para ela e para a filha de quatro anos, a base desse jantar eram duas pequenas lulas e um bife de frango e tive o desplante de perguntar se chegaria para as duas! A resposta daquela mãe foi elucidativa da situação, aquele era o jantar desse dia e o almoço do dia seguinte. até serem de novo repatriadas para os seus paises, onde a única diferença é a água potável e as vacinas. Por aqui não se alimentam melhor, porque a cozinha que normalmente serve 12 pessoas é um vazio horrível. Sempre que entro num desses aposentos miseráveis grito quase calada por um patrício, e vou pedindo a Zambie que não haja resposta, que nao esteja ali um Angolano. Oiçam o meu pedido: nao destruam o edifício dos Correios nem percam o espacos vazios! Ocupem-nos para morar com alguma dignidade humana, porque aqui, no centro da "Europa civilizada", não há espaço, apenas dinheiro para os que cá moram, e só para alguns, porque nunca ninguém nos vai dar nada sem ter o dobro em troca. Daqui, do horror do vazio vos suplico, amem o nosso espaço, porque aqui chove e faz muito frio e aqui sim, dormir numa cubata ou na rua, é sempre morar no HORROR DO VAZIO.
A vossa,
Ana"
domingo, 25 de Maio de 2008
> Escolhi-te para mim
![[bixu.jpg]](http://bp2.blogger.com/_xdXBBWQnKsA/SDoYXDW2XGI/AAAAAAAAAH8/m3gkHW4GMlY/s1600/bixu.jpg)
Escolhi-te para mim. Como qualquer fêmea que escolhe um macho, eu escolhi-te para mim. Não o melhor reprodutor, nem o melhor cantor ou guerreiro, nem chave de fechadura. Foi o acaso, a sorte ou fado, nem sei que nome dar a tão contemporânea forma de escolher um caminho, e entre tantos remetentes, eu escolhi-te para mim. Aprendi letra a letra, mensagem a mensagem a gostar de ti. Disforme coração ferido pela vida. Desinfectei e curei a tua amargura e dei-me-te lentamente, aprendendo como crianças, gostá-mo-nos. Não sei de quê, talvez do cansaço da procura nos rendemos e ficamos por aqui. Sem emoções fortes, nem nós na garganta, sem frios na espinha nem falta de apetite, um romance calmo escrito por nós, isento das paixões fulminantes dos adolescentes. Com as certezas que os erros e os anos nos deram, apenas tivemos que escolher. Escolheste-me para ti e eu escolhi-te para mim. Escolheste-me pela simplicidade de pensamento e pelas palavras que tirei da tua boca e tão simplesmente traduzi. Escolhi-te pelas tuas cores. A tua harmonia visual prendeu-me. A estética não estática das cores da tua vida. Mais que um Pantone ou arco íris as tuas cores são únicas e usaste-as para ilustrar o meu futuro. Escolhi-te para mim e ensinei-te a amar-me com cada um dos teus lógicos tons das tuas cores degrade como que dando cor a uma vida sépia. Escolhi-te para mim, toma-me e dá-me cor.
sábado, 24 de Maio de 2008
sexta-feira, 23 de Maio de 2008
> Verbo
![[Celeste.jpg]](http://bp0.blogger.com/_xdXBBWQnKsA/SDojFjW2XII/AAAAAAAAAIQ/wGn9sH_3Yrc/s1600/Celeste.jpg)
São tantas as cartas que te escrevi, tantos os segredos que te contei, deixei-te tantos recados e nunca te consegui dizer o importante.
Tivémos conversas intermináveis, partilhamos lágrimas e gargalhadas e quando dávamos por nos estava outra vez na hora de deitar ou partir.
Amamos as mesmas pessoas e por elas tantas vezes discordamos, amamos-nos mutuamente e tantas vezes discutimos, mas o que era mesmo importante ficou intocável.
Sabes-me como nunca ninguém me soube, conheces cada uma das minhas dores e sentes-me quando feliz. Sei-te como a mim própria e conheço de cor cada uma das tuas cicatrizes e rugas e sinto-te quando vibras, Um só olhar, apenas um sorriso ou o encontro das nossas mãos, engolimos em seco e a nossa unificação é patente.
Choraste comigo sem saberes porquê e leste as minhas cartas sem fim e os meus poemas sem poesia, entendias os meus desenhos quando se via um chapéu e eu queria desenhar um elefante.
Cobraste-me vezes sem fim o amor que me davas e eu nunca consegui pagar nem um por cento desse amor. Agora compreendo a cobrança: era o teu pedido de um pedacinho de amor. E eu nunca te disse... aliás até disse! Tantas vezes te disse "amo-te", mas nunca saiu com a força com que o sentia. Como quando sonhamos que é vital correr e não saímos do mesmo lugar, assim são as minhas palavras quando digo que te amo.
Conheces esses meus sonhos não e? Tantas vezes te sentaste ao meu lado na cama e me acalmaste dando-me a certeza que não passava de um sonho.
Deste-me a tua vida! Toda ela dedicada a mim. Amaste quem eu amava só porque eu amava. Eu vi. Eu vi o teu amor. Senti-o todos os minutos da minha vida desde que nasci. Senti-o nos meus poros quando estava doente e não saias do meu lado. Senti o teu amor quando passeávamos de mãos dadas e quando estava longe.
Dispuseste-te a dar a tua vida em troca de umas horas de felicidade minha.
Como é possível não conseguir dizer-te o quanto te amo?
Com o passar dos anos revejo-me em ti. Tudo aquilo por que passaste eu passo, desde as amarguras da vida, a infelicidade de não ser-mos saudáveis. Ponto por ponto, doença por doença, filho por filho, a ausência do amor da nossa vida, eu sou a tua repetição, eu sou tu noutro espaço, tu foste o que sou.
Serás imortal enquanto eu viver porque somos a mesma pessoa.
Cresci tão depressa que te apanhei. Começo a ter cabelos brancos como os teus, as mesmas manchas na pele e a articulação que te doí em mim começa a falhar.
Tudo em ti é eu. A excepção da demonstração de amor. Porque não consigo dar-te o meu amor da mesma forma que me deste o teu?
Apesar de desnecessário disseste-o tantas vezes e eu já o tinha sentido em todos os teus gestos. Tudo o que fazes por mim é amor. Tu és a definição. Tu és amor.
Nunca um verbo foi tão cheio!
Lembro todas as palavras e ensinamentos, lembro todos os gestos e reprovacoes, os ralhetes e "secas", os falsos moralismos, como lhe chamavam, lembro os teus defeitos de carácter e amo cada um deles.
Estou aqui, ao teu lado ate ao fim. Se partires procurar-te-ei até renasceres, serei tu na perfeição que desejaste ter. Amo-te Mãe, da-me outra vez o teu colo.
Amamos as mesmas pessoas e por elas tantas vezes discordamos, amamos-nos mutuamente e tantas vezes discutimos, mas o que era mesmo importante ficou intocável.
Sabes-me como nunca ninguém me soube, conheces cada uma das minhas dores e sentes-me quando feliz. Sei-te como a mim própria e conheço de cor cada uma das tuas cicatrizes e rugas e sinto-te quando vibras, Um só olhar, apenas um sorriso ou o encontro das nossas mãos, engolimos em seco e a nossa unificação é patente.
Choraste comigo sem saberes porquê e leste as minhas cartas sem fim e os meus poemas sem poesia, entendias os meus desenhos quando se via um chapéu e eu queria desenhar um elefante.
Cobraste-me vezes sem fim o amor que me davas e eu nunca consegui pagar nem um por cento desse amor. Agora compreendo a cobrança: era o teu pedido de um pedacinho de amor. E eu nunca te disse... aliás até disse! Tantas vezes te disse "amo-te", mas nunca saiu com a força com que o sentia. Como quando sonhamos que é vital correr e não saímos do mesmo lugar, assim são as minhas palavras quando digo que te amo.
Conheces esses meus sonhos não e? Tantas vezes te sentaste ao meu lado na cama e me acalmaste dando-me a certeza que não passava de um sonho.
Deste-me a tua vida! Toda ela dedicada a mim. Amaste quem eu amava só porque eu amava. Eu vi. Eu vi o teu amor. Senti-o todos os minutos da minha vida desde que nasci. Senti-o nos meus poros quando estava doente e não saias do meu lado. Senti o teu amor quando passeávamos de mãos dadas e quando estava longe.
Dispuseste-te a dar a tua vida em troca de umas horas de felicidade minha.
Como é possível não conseguir dizer-te o quanto te amo?
Com o passar dos anos revejo-me em ti. Tudo aquilo por que passaste eu passo, desde as amarguras da vida, a infelicidade de não ser-mos saudáveis. Ponto por ponto, doença por doença, filho por filho, a ausência do amor da nossa vida, eu sou a tua repetição, eu sou tu noutro espaço, tu foste o que sou.
Serás imortal enquanto eu viver porque somos a mesma pessoa.
Cresci tão depressa que te apanhei. Começo a ter cabelos brancos como os teus, as mesmas manchas na pele e a articulação que te doí em mim começa a falhar.
Tudo em ti é eu. A excepção da demonstração de amor. Porque não consigo dar-te o meu amor da mesma forma que me deste o teu?
Apesar de desnecessário disseste-o tantas vezes e eu já o tinha sentido em todos os teus gestos. Tudo o que fazes por mim é amor. Tu és a definição. Tu és amor.
Nunca um verbo foi tão cheio!
Lembro todas as palavras e ensinamentos, lembro todos os gestos e reprovacoes, os ralhetes e "secas", os falsos moralismos, como lhe chamavam, lembro os teus defeitos de carácter e amo cada um deles.
Estou aqui, ao teu lado ate ao fim. Se partires procurar-te-ei até renasceres, serei tu na perfeição que desejaste ter. Amo-te Mãe, da-me outra vez o teu colo.
domingo, 13 de Abril de 2008
> O bixú | 2008
![[bixu+estranho.jpg]](http://bp0.blogger.com/_xdXBBWQnKsA/SDok_jW2XJI/AAAAAAAAAIY/ly2wKymU6sg/s1600/bixu%2Bestranho.jpg)
É um bicho estranho o ser humano... Precisa de tanto para sobreviver!
Tem mil uma expressões este bicho estranho: chora, ri, pensa, alimenta-se e tem hábitos feios.
Conversa por frames e vê-se por pixeis. E um bixú estranho... o ser humano.
Tem mil uma expressões este bicho estranho: chora, ri, pensa, alimenta-se e tem hábitos feios.
Conversa por frames e vê-se por pixeis. E um bixú estranho... o ser humano.
sábado, 12 de Abril de 2008
> Pedro | 2008
![[Ana+e+Pedro.jpg]](http://bp0.blogger.com/_xdXBBWQnKsA/SDrjgjW2XNI/AAAAAAAAAJE/iD6iC-jWYbw/s1600/Ana%2Be%2BPedro.jpg)
Headingley / Leeds
"Quem inventou a distância não sabe o quanto dói uma saudade.
Saudade é tudo o que fica de quem não pode ficar."
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.
A saudade é a maior prova de que o passado valeu a pena.
Saudade é não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos.
Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós, deixam um pouco de si, levam um pouco de nós." (Exupery)
sexta-feira, 11 de Abril de 2008
> Chiu!!! ...pouco barulho, estou a escrever! | 2007
![[xiu.jpg]](http://bp2.blogger.com/_xdXBBWQnKsA/SDrmkDW2XOI/AAAAAAAAAJM/nGd55ZUOMBI/s1600/xiu.jpg)
Eu sonho quando a realidade me suja a mente. Sonho quando o sonho ultrapassa a minha fúria de viver. Eu sonho porque o sonho, apesar de irreal é a outra dimensão da vida. Sonho por mim e pelos que têm vergonha de sonhar e porque sei que se eu quiser um dia os meus sonhos serão a outra dimensão do sonho: A REALIDADE São secretos os meus sonhos, são o que de mais meu tenho, por isso não os digo nem escrevo, apenas anuncio que sonho.
Ah! Mas eu sei sonhar, acordadda e a dormir e por muito sonhadora que pareça apenas transfiro o meu ego para a dimensão do sonho. Sonho tanto, mas tanto, que até consigo ser realista. Há quem sonhe com o inconsciente, eu sonho conscientemente. Ninguém, mas ninguém me consiguirá impedir de sonhar, porque mesmo presa ou morta hei-de continuar a sonhar!
Ah! Mas eu sei sonhar, acordadda e a dormir e por muito sonhadora que pareça apenas transfiro o meu ego para a dimensão do sonho. Sonho tanto, mas tanto, que até consigo ser realista. Há quem sonhe com o inconsciente, eu sonho conscientemente. Ninguém, mas ninguém me consiguirá impedir de sonhar, porque mesmo presa ou morta hei-de continuar a sonhar!
quinta-feira, 10 de Abril de 2008
quarta-feira, 9 de Abril de 2008
> Reflexos | 2007
![[dupla.jpg]](http://bp3.blogger.com/_xdXBBWQnKsA/SDrsgTW2XQI/AAAAAAAAAJc/yaWnrilkHCk/s1600/dupla.jpg)
Lisboa
Vês algum reflexo? Tens o retorno da tua imagem?
Não, não és tu, não podes ser tu!
Isso engana-te, diz-lhes que estavas com frio ou que já era tarde e
convence-te disso.
Não esperes pela manhã para ir ao espelho confirmar o teu reflexo, o
espelho pode acordar mal disposto...
Não te deites com essa dúvida, vai ao espelho já e não saias de lá sem o
retorno do reflexo que queres.
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![[flor+.jpg]](http://bp1.blogger.com/_xdXBBWQnKsA/SDs_KjW2XRI/AAAAAAAAAJk/SmPTv2WcMCs/s1600/flor%2B.jpg)
![[desenho.jpg]](http://bp0.blogger.com/_xdXBBWQnKsA/SDrqSjW2XPI/AAAAAAAAAJU/QO_3Uv5IK2s/s1600/desenho.jpg)